Jejuar, ato de amor para com Deus e a Criação

Na Quaresma, um dos exercícios que nos convida a uma conversão e penitência autêntica é a prática do jejum que merece ser sempre descoberta. No jejum imitamos a Cristo que no Monte das Tentações se submeteu em obediência filial a este meio espiritual que visa aprimorar nossa entrega ao Pai mediante a escuta fiel a sua Palavra. Jejuar é colocar-se por inteiro à disposição de Deus para amar e assumir o seu projeto de vida e missão. 

No jejum ativamos todas as nossas faculdades espirituais para concentrar nossa percepção na presença de Deus afinando nossa sintonia cordial para amar a sua vontade. O jejum também nos leva a um discernimento mais apurado e a uma liberdade mais plena sobre o uso dos bens materiais e as escolhas de acordo com a nossa realidade de simples administradores e não possuidores arrogantes. 

No jejum retomamos a nossa liberdade cristã no Espírito para sermos servidores e não escravos do poder dominação que corrompe e oprime as pessoas. A privação e abstinência de alimento nos conduz a uma limpeza e purificação de nossas práticas alimentares que muitas vezes atrapalham e destroem nossa saúde e nos levando ao mesmo tempo a experimentar o sofrimento dos pequenos e dos pobres, muitas vezes despojados do pão necessário para suas famílias. É verdade que podemos realizar com muito proveito outras formas de jejum: das palavras (silêncio amadurecido), das imagens (desligar um pouco a tv e a internet), dos passos (não ir aos shoppings e, pelo contrário, visitar presos e doentes), das emoções negativas (ira, ressentimento, raiva, angústia, ansiedade); sem dúvida estes gestos penitenciais conseguiriam um maior impacto na nossa vida interior e uma incidência maior na comunidade e convívio social. 

Mas, neste ano, conforme a Campanha da Fraternidade, o jejum pode ter como foco a simplicidade, a sobriedade e a cultura do permanente, nos libertando do consumismo egoísta e predatório para uma convivência mais alegre e serena com a nossa irmã Terra, abraçando com amor e reverência compassiva a todas as criaturas. Deus seja louvado!

Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz – Bispo  de Campos (RJ)

 

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