Dilemas juvenis e a busca da felicidade.

post tianguaNo mundo em que os valores perenes tornaram-se ultrapassados e a simplicidade do viver exige produtos sofisticados, surge um questionamento: Como ser feliz em meio a bombardeios de ideias que diariamente nos afetam e confundem o verdadeiro sentido de nossa existência?

Sabemos que toda pessoa humana, capaz de refletir, se inquieta quando desacelera o ritmo cotidiano e pensa acerca de assuntos que geralmente não se obtém resposta. De onde vim? Para onde vou? Será que meus sonhos se efetivarão? Terei eu um bom casamento? As perguntas são variadas, mas tem uma mais pertinente ainda, talvez a que assola a cabeça de quase todo mundo: Serei eu feliz?

Acredito que o período da juventude seja o mais questionador, pois é o momento em que temos que fazer diversas escolhas. Vale salientar que estas ecoarão durante toda a vida e por isso a preocupação de optar pela alternativa correta. Eis a vida, um turbilhão de incertezas, uma caixinha de mistérios que só desvela aquele que arrisca experimentar. Surge então outro desconforto: O que experimentar diante de tantas alternativas que o mundo oferece?

Os inúmeros grupos, tribos, filosofias, religiões, mídias, instrumentalização do corpo como objeto de prazer… são as provas de que o mundo dispõe de diversas alternativas possíveis de vivências. Tudo está se tornando permissível e o que nossos avós e pais nos pregam parece sem nexo em meio a esse emaranhado de informações provindas muitas vezes do mundo virtual. A internet é espaço totalmente confiável para agregação de conhecimento e valor?

A escolha do caminho certo, de fato, é difícil. No entanto, a pessoa humana possui em sua estrutura corporal, um centro, um lugar em si mesma, uma alma que a conduz de maneira coerente. Essa alma não é algo acabado e inerte, e assim como o corpo precisa de material para alimenta-lo e fortalecê-lo, a alma precisa de material espiritual para desenvolvê-la. Diz a filósofa alemã Edith Stein “a alma cresce, se enriquece e se amplia, mas contemporaneamente cresce também o mundo que explora discernimento, [por isso a necessidade de] uma intervenção formadora.” Ou seja, faz necessário que o jovem se abra a uma vida de instrução e aprendizado.

É próprio do jovem ter sede de liberdade, de infinito, de aventura, e essa inquietação se dá pelo fato de em si mesmo existir um vazio existencial que apenas um Ser pode preencher e dá sentido à vida. A fé em Deus é que irá nutrir e orientar a alma, pela escuta e prática da palavra, em caminhos verdadeiros. Diz Edith, “essa fé deve fazer nos jovens aquele nexo entre responsabilidade e confiança que é a justa atitude do educador. Responsabilidade significa educar-se a isso que deve tornar. Confiança quer dizer que não se enfrenta sozinho esta tarefa, mas se deve esperar que a Graça [de Deus] cumprirá isso que vai além das próprias forças.” O que não está ao nosso alcance conceber, o próprio Deus opera em nós.

Portanto na caminhada juvenil deve-se focar em especial na formação interior, na alimentação espiritual, a fim de que não se perca em futilidades mundanas e prazeres efêmeros. Não podemos desviar o olhar de Cristo, Ele é nossa referência, a imagem que queremos nos tornar, pois é o exemplo de humanidade perfeita. Jovem, põe teus olhos fitos no Senhor, espera Nele, e nunca te decepcionarás, Eis o nosso verdadeiro sustento, o verdadeiro sentido de existir.

Diz São Joao da Cruz “se é verdade que o homem busca a Deus, tanto mais é verdade que Deus busca o homem”, Deus nos ama e nos quer para Ele, “Pois és precioso para mim, e mesmo que seja alto o teu preço, é a ti que eu quero! Para te comprar, eu dou, seja quem for; entrego nações, para te conquistar! (Is 43, 4). Para que Jesus possa te resgatar apenas uma coisa é preciso que você se abra a Ele, pois Deus não invade e não nos rouba nada, e pelo contrário, nos dá vida e vida em abundância! (cf. Jo 10,10). Encontrar-se com Cristo é fazer a experiência de autoconhecimento capaz de nos renovar e nos tornar novas pessoas.

 

Rafael Ítalo Ponte Borges, bacharelando do curso de Filosofia da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UEVA e Bacharelando no curso de Teologia da Faculdade Católica de Fortaleza-FCF

 

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